quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

B, de bola...

Bola de meia, bola de gude, o solitário (ou seria o solidário?) não quer solidão, cada vez que o adulto balança o menino me dá a mão... Pensei em B, de Bola, e veio essa musiquinha instantaneamente. Nem eu sabia que ela estava assim tão presente em meu subconsciente. Freud deve explicar. A letra nem deve ser bem assim, e não sei se é do 14 Bis ou do Milton Nascimento. Poderia verificar facilmente em dois segundos, vocês dirão. Mas não quero. Freud também deve ter uma boa explicação para isso. Mas quem quer explicação?

Assim, também sem explicação, pensei em outras bolas: bola cheia, bola murcha, ora bolas, não dar bola, bolada nas costas, chicle de bola...o mundo é uma bola! Bolas, bolinhas, bolotas. Sem falar nos esportes de bola, por cima da rede, dentro da rede, na caçapa, na cesta, no chão...não sei como nenhum carnavalesco pensou neste tema ainda! Posso ver a avenida repleta de bolas de todas as cores e materiais, bolas de paetês, de plumas, de pelos, bolas de neve!

Fale: bola! E cada um pensará uma coisa diferente. Só com bola de cristal para adivinhar! Aliás, confesso que para mim esta sempre foi a mais fascinante das bolas. Aquela que límpida, transparente e brilhante era capaz de mostrar o futuro e o passado, de desnudar quem se atrevesse a questioná-la sobre o destino. Uma bola de cristal me faria o homem mais poderoso sobre a face da terra! Lamentavalmente o mais próximo que cheguei de uma bola de cristal foi uma pequena coleção de bolinhas de gude (talvez daí a afinidade com a música). E o máximo que minhas mini bolas de cristal informavam é que eu tinha uma péssima mira e que em breve elas todas (as bolitas) me deixariam... A mini previsão se revelou absolutamente verdadeira quando perdi todas as bolihas para meu irmão, que jogava infinitamente melhor que eu.

Pensando bem, através dos tempos, minha relação com alguns tipos de bola sempre foi de alguma forma polêmica. Bolas esportivas sempre me apavoraram. Em especial aquelas pequenas e pesadas do handebol. Pareciam feitas para me atingir. Minhas fugas descontroladas com o propósito de preservar, se não minha vida, meus dentes, nunca foram bem interpretadas pelos meus colegas que disputavam a tapa minha escalação no time contrário.

Mas não sou de dar bola para tudo o que pensam ou falam de mim. Não fico bolado assim tão facilmente. E isso me lembrou um versinho bem bobo, que poderia figurar no livreto da minha amiga, aquela:

"Cabeçorra, cuca, bola,
Muitos nomes ela tem,
Dão tanto nome à cachola,
Mas cabeça, poucos têm!"

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Uma flor para rimar

E minha amiga Denise relembra um episódio da infância. Conta que lá pela quarta, quinta série, era comum as meninas terem um livrinho que entregavam para os colegas, amigos e professores deixarem mensagens. Cada um tinha direito a uma página inteira para escrever o que lhe aprouvesse: poesias, versinhos, desenhos, enfim, um registro daquele momento para a posteridade. E uma das grandes emoções envolvendo o tal livreto era entregá-lo ao menino por quem se nutria especial afeto. As fêmeas já saem das fraldas se apaixonando por alguém, então todas tinham o tal garoto especial. E imagine a expectativa em torno daquilo que ele iria escrever...

Fernanda temia os riscos, apesar de ser, de longe, a mais bonita da turma. Parecia muito com a outra Fernanda, a Lima. Linda e loura, olhos verdes, era apaixonada pelo colega Giovanni. Mas temia entregar-lhe o caderninho. Já minha amiga, mais desencanada e menos decidida sobre quem era o garoto de quem ela realmente gostava, entregou logo o livrinho para dois: Giancarlo, o gordinho, foi profundo: "Quando este imenso dragão, o tempo, tiver nossos destinos separado, lembra-te que fui teu colega!". Gordo bocó! Betinho, o baixinho, foi mais direto: "Je t'aime em françês, I love you em inglês, mas o melhor é dizer, eu te amo em português!" Uau! Direto ao ponto. Olhando bem, ele nem é assim tão baixo!

Então Fernanda armou-se de coragem e entregou seu livro ao Giovanni que, escreveu em uma página pintada de lápis de cor: "O amor é uma flor roxa, que nasce no coração dos trouxas". Pobre Fer... Não entrou em depressão pois naquela idade ainda nem sabia o que era isso.

As amigas todas foram solidárias e passaram a ignorar o Giovanni, que acabou trocando de escola (não por esse motivo, claro) e nunca mais se soube dele. Betinho colheu os frutos da sua ousadia. Até troca de presentes rolou. Quanto ao Giancarlo, o dragão do tempo foi implacáve: separou seu destino de todos os demais antes que ele completasse 30 anos.

Mas reminiscências à parte, voltemos à tal flor roxa! Será isso então o amor? Ouso concordar. Como uma flor, nasce. Mesmo que não se tenha plantado uma semente sequer. Quando a gente menos espera, lá está ela, imensa! Roxa! Ou profundamente azul, como haverá de ser profundo algum olhar. Escandalosamente vermelha, ardente, viçosa, tal qual lábios desejosos de beijos. Ínfima, desbotada, amarela, delicada e singela... Sempre diferente mas, igualzinha a todas as flores, um dia nasce. Do nada ou de muita coisa. Nasce. E permanece algum tempo ali, para ser colhida ou não, admirada ou ignorada.

Nasce, sem intenção nem culpa, no coração. Não é fruto, o amor, de planejamento, de lógica, de estratégia. Aliás, não é fruto. É flor. Uma flor, procurado uma rima qualquer.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Hoje eu quero chorar...

E quem foi que disse que homem não chora? Ou que precisa de um bom motivo para chorar? Pois hoje, do nada, bateu um não sei quê de nostalgia, melancolia, saudade... assim, sem ter por que.

E quando dá essas coisas estranhas visito A Casa de Rubem Alves, onde encontro de tudo. O que quer que eu queira sentir encontra eco em algum texto, alguma crônica nova ou antiga dele.

No comum das vezes, para chorar, gosto de ler a história O Menino e a Borboleta Encantada. Mas hoje encontrei uma nova, O Jardineiro e a Fräulein. Muito comovente. Diz ele (Rubem) que é uma história real. Ainda maior a razão para chorar. Como em Razão e Sensibilidade, a situação vivida pela Emma Thompson e pelo Hugh Grant em que ela entende tudo errado, acha que ele está comprometido e decide esquecê-lo. Ambos sofrem em silêncio. Desnecessariamente. Impossível não chorar.

A verdade é que a idéia de separação sempre me atordoa um pouco. Quando a separação é definitiva, então... mas o que mais acaba comigo é aquele momento imediatamente anterior, em que se compreende e aceita a separação (ou a morte) como algo inevitável. Foi por isso que eu comecei a sentir aquela coisa esquisita embolando na garganta há pouco, ao tentar tocar no violão a música Veterano, do Leopoldo Rassier. A percepção de que o fim (ou a passagem) se aproxima e que não há nada a fazer a não ser enfrentar o momento de cabeça erguida, é muito comovente.

Sim, estou ciente de que este texto está um tanto desconexo. Mas talvez faça algum sentido para quem conhece os textos, o filme e a música.

De qualquer forma, hoje não estou para escrever. Estou para chorar rios. E, quer saber, vou reler a história do menino e da borboleta!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Pilates para o cérebro

Recebi, ontem, um e-mail com esse título e me interessei. Ocorre que comecei a fazer pilates há duas semanas, para sair do meu estado polenta, e acho que está surtindo alguns espantosos resultados. Pois se pilates para um corpo decadente parece funcionar, por que não aplicar a técnica a um cérebro já não tão ágil?

Abri a tal mensagem eletrônica e já fui percebendo que me enquadrava no grupo que carece deste tipo de exercício. Eram citadas algumas situações que já se tornaram corriqueiras para mim.

Situação 1: Vou comentar com alguém um filme ótimo que é com aquele ator, sabe, aquele, que fez aquele outro filme, que é filho daquele bem famosão, que casou com aquela, linda, morena, que fez acho que foi... Zorro! E o interlocutor fazendo sinal de que sim, sabe, mas não lembra porcaria nenhuma.

Situação 2: Acordo e saio com a maior pressa do mundo para o trabalho e quando fecha o portão eletrônico não lembro mais se eu tranquei ou não a porta de casa com chave. Volto só para perceber que estava tudo ok.

Situação 3: Procuro meus óculos de leitura por todos os cantos, reviro a casa, prometo a Santo Antoninho dar três pulinhos se encontrar e, quando desisto, percebo que estavam o tempo todo pendurados na gola da camisa...

Sim, me enquadro em todas as situações e decido que pilates para o cérebro é tudo o que eu mais preciso neste momento sombrio de transição da velhice iniciante para a velhice nível intermediário.

Vamos às sugestões de exercícios:

Exercício 1: Fazer o maior número possível de atividades diárias com a mão não dominante. E lá vou eu escovar os dentes com a esquerda, abrir portas com a esquerda, até escrever algumas poucas palavras. Facinho. Comparando com um exercício normal, considerei um polichinelo cerebral.

Exercício 2: Fazer coisas comuns com os olhos fechados, estimulando os outros sentidos. Muito bem. Banho com os olhos fechados. Complicou um pouco. Passei o condicionador antes do shampoo. Percebi quando senti a textura cremosinha. Mas localizei com certa facilidade torneiras, saboneteira, e foi mais divertido. Equivelente a alguns abdominais mais elaborados.

Exercício 3: Trocar algumas coisas de lugar, como a lixeira da cozinha, por exemplo. O objetivo desse é evitar automatismos. Muito interessante. Fui pelo menos oito vezes colocar o lixo no lugar errado até que o cérebro se recondicionou com o novo lugar. Dá para comparar com aquele movimento que a gente faz girando uma mão em torno do umbigo e batendo a outra na cabeça, lembram? Complicadinho. Mas depois que se pega o jeito, não tem mais graça.

Então hoje de manhã decidi implementar algumas melhorias no tal pilates sugerido. Decidi guardar coisas usadas não tão diariamente assim, em lugares diferentes.

Resultado: Guardei algumas coisas que não lembro mais o que são em algum lugar que não lembro mais onde fica!

Quem foi o bocó que inventou esse tal pilates para o cérebro?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dois e noventa e nove...

Estava hoje passando no caixa do supermercado aqui perto de casa quando a operadora perguntou com cara de poucos amigos se eu ainda não tinha adquirido uma sacola de náilon.

Uma sacola de náilon? Perguntei eu. E minha voz interior: Cumé? Ao que ela respondeu: Uma dessas, de dois e noventa e nove, para não precisar mais usar tantas sacolinhas plásticas, que acabam com o meio ambiente. E deu uma ênfase no taaaantas, olhando para as compras que eu me preparava para embalar.

A sensação que tive foi de que todas as ecatombes ambientais estivessem acontecendoo por minha única, completa e máxima culpa. Pensei nas tartarugas marinhas morrendo sufocadas com o plástico, nas bocas de lobo entupidas, nas enchentes, nos lixões com material que ficará anos e anos sem uma decomposição adequada, nas baleias (baleias?). Olhei ao redor conjecturando se os outros clientes estavam de alguma forma revoltados com meu comportamento, mas percebi que todos embalavam suas compras com as terríveis sacolinhas. Ufa!

Reconfortado pela responsabilidade compartilhada respondi à moça que se o estabelecimento me desse a opção de embalar minhas compras com uma sacola de papel eu não faria qualquer oposição. Pelo contrário. Afinal não era assim há algum tempo? Pelo olhar que ela me deu, obviamente não no tempo dela. Esqueci que só nós, homens das cavernas, sabemos o que é saco do supermercado! Esclareci que se tratava de um saco, sem alças, não uma sacola, de papel pardo, no mais das vezes duplo, que se enchia com os produtos adquiridos e que era transportado no braço - e fiz assim, com o braço redondo.

Se eu tivesse feito um gesto de bater as asas a moça teria reagido mais naturalmente! Arregalou os olhos com uma sem cerimônia que me constrangeu. Mímica nunca foi minha especialidade e, fora descascar uma banana imaginária, poucas outras vezes a compreensão foi imediata, reconheço, mas o formato de "segurando um saco de supermercado com o braço" pareceu-me fácil de entender. Não foi. Soltei a carteira e fiz o gesto com os dois braços. Acho que piorou, pois ela baixou os olhos e falou que a sacola de náilon era muito resistente e custava só dois e noventa e nove.

Não me dei por vencido. O argumento pré-histórico de voltar aos sacos de papel não colou? Pois há outro motivo para que eu não compre a sacola de náilon resistente de dois e noventa e nove com motivos de maracujá, de melão, de arroz ou de alcachofra: Se não levar estas sacolinhas, onde vou colocar o lixo? Vou ter que comprar sacos plásticos! E aí incido novamente no crime ambiental. E ainda com a pecha de consumista! Esta desculpa ela pareceu aceitar com uma certa circunspecção. Pois é. E o lixo?

Enteguei a ela o cartão e enquanto a máquina processava o pagamento enchi até quase estourar cada uma das sacolinhas que ela delicadamente já tinha deixado abertas (durante toda a nossa conversa eu estava tentanto, sem sucesso, descolar os lados de uma única sacola). Sobraram quatro, que eu empurrei na sua direção com um certo orgulho por estar fazendo a minha parte pela preservação do planeta. Ela nem ligou. Tudo bem.

Em casa, ao retirar as compras do porta malas do carro, uma das sacolinhas que não era de náilon super resistente, e que custa a módica quantia de dois e noventa e nove, não suportou o excesso de peso e explodiu. A garrafa da água sanítária quicou no chão, se partiu, enxarcou a rúcula e manchou a barra da minha calça jeans predileta. A caixa de massa ficou desfigurada, mas sobreviveu. Os mamões que não viraram papa sofreram sérios esmagamentos. Os fósforos morreram por afogamento. Os pepinos foram lançados contra a parede quando o vidro se espatifou. A lata de leite condensado amassou no canto, coisa pouca. Só a esponja saiu ilesa.

Sim, eu sei! Isso tudo não deveria estar em uma só sacola! Siiiiiiiiiim. Não quero ouvir mais nem um pio!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

All we need is love

Tudo o que precisamos é amor. Pois foi o que vi nas três peças de teatro que deu tempo de assistir no Rio. Se no atual cenário político nacional tudo acaba em pizza, nessas três historinhas tão diferentes tudo acaba no desejo de ter alguém.

Em Pterodáctilos o Marco Nanini encarna a personagem de Ema, uma adolescente rica que se apaixona por um rapaz pobre e o leva para casa, onde é trasformado em empregada pela mãe dela, que é alcoólatra. É um drama de uma família que está se extinguindo (por isso a referência ao dinossauro) tratado com um humor ácido, que provoca desconforto, tanto quanto o chão do cenário que se movimenta e se desfaz. Completa a tragédia o retorno do irmão de Ema que está com AIDS e com quem o namorado dela acaba se envolvendo. Tudo o que Ema quer é o amor que nunca teve do pai, ocupadíssimo em enriquecer, da mãe, às voltas com a bebida e futilidades, das pessoas que a desprezam por ser gorda e desajeitada e que tampouco terá do namorado, que se apaixonou por seu irmão.

Em Maria do Caritó Lilia Cabral interpreta, adivinha? Maria do Caritó, uma muher à beira dos cinquenta anos que passou a vida fazendo todo o tipo de promessas e simpatias infrutíferas a Santo Antônio. Seu pai a faz crer que a mãe morreu ao dar-lhe à luz e que para que ela, Maria, não fosse pelo mesmo caminho, a deu em noivado a São Djalminha, razão pela qual ela teria alguns poderes sobrenaturais que encantam os crédulos no sertão. Mas noiva de santo não pode casar e Maria sofre por se ver envelhecendo sem ter alguém. A comédia é engraçadíssima, mas o drama de não amar e não ser amado não tem graça nenhuma.

A última, talvez a mais estranha e que provoca mais reflexão, é a montagem nacional de um musical off-broadway que se prepara para ser encenado na Broadway. Trata-se de Hedwig e o Centímetro Enfurecido, com Paulo Vilhena e Pierre Baitelli. Olha que história maluca: Um gayzinho chamado Hansel (estamos na Alemanha Oriental) que adora rock conhece um militar americano. Esse militar promete levá-lo aos EUA desde que ele se submeta a uma operação de troca de sexo. Ele topa e muda o nome para Hedwig (para poder usar o passaporte da sua mãe). Mas a operação dá errado, o corte fecha e Hedwig fica com um centímetro apenas de pênis. Pensa que horror! Mas a tragédia continua. Nos EUA ele(a) é abandonado(a) pelo militar. Previsível, não? Então ele(a) começa a trabalhar com música e conhece um carinha chamado Tommy, por quem se apaixona e com quem passa a dividir o palco. Tommy vira um cantor de sucesso, mas não consegue conviver com a aberração que é Hedwig e o(a) abandona, roubando suas músicas. Hedwig então passa a segui-lo onde quer que ele se apresente, na esperança de que Tommy um dia lhe agradeça. Tudo o que Hedwig quer é o amor de Tommy.

Sim, resumi desgraçadamente as três peças, mas o que eu queria dizer, e disse, é que a maioria dos dramas humanos se resume a isso. Tudo o que precisamos é amor. Não importa sermos convencionais ou alternativos, endinheirados ou duros, inteligentes ou babacas, no fundo é isso o que todos queremos: amor.

E sempre há um chinelo velho para um pé torto? Não acredito em metade da laranja. Prefiro pensar que sou uma laranja completa. Acredito em côncavo e convexo(não estou com isso declarando preferir Roberto Carlos a Fábio Júnior, por favor!!!). E compreendo a necessidade de viver um grande amor (aí vem Vinicius...). Mas não vai encontrar o pires que a completa a xícara que se considera um jarro!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Maravilhosa

Bem, mais cedo ou mais tarde sempre acabaremos conhecendo o Rio de Janeiro. Taí um destino que nunca me seduziu. Mas quis a vida, e a promoção de milhas Smiles, que eu visse com meus próprios olhos esse magnífico feito da natureza.

Uau! A cidade é realmente maravilhosa! É tudo aquilo que falam e talvez um pouco mais. As cinco noites que passei lá tiveram o condão de desfazer toda a equivocada idéia que eu tinha a respeito desse lugar privilegiadíssimo do planeta.

Fiquei hospedado em Ipanema e dividi com meu companheiro de viagem o prazer de andar de bunda mole pelo Leblon e pelo centro, de tomar um metrô e depois um ônibus até o Pão de Açúcar, andar no famoso bondinho (que é na verdade um teleférico), subir de trenzinho ao Corcovado (que na verdade é um bonde elétrico), pegar o bondinho até o Bairro de Santa Tereza (esse é mesmo um bonde), enfim, usar quase todos os meios de transportes terrestres conhecidos...

No mix de turismo padrão, botecagem nos barzinhos de Ipanema, caminhada na lagoa (linda e agora despoluída), passagens pelas confeitarias, caindo sem culpa em diversas tentações, houve tempo para ver três peças de teatro, todas no Shopping da Gávea: Pterodáctilos, Maria do Caritó e Hedwig. Nas próximas postagens comentarei um pouco de cada uma delas que são extremamente diferentes e, apesar disso, muito parecidas.

Nesse shopping vimos vários atores globais e, como manda a etiqueta, fizemos de conta que não era nada fora do comum. Mas com o rabo do olho deu para constatar que Tayla Ayala e Camila Pitanga são lindas! Uma pele perfeita. Duas peles, no caso. Reynaldo Gianecchini é menor do que parece, mas é lindo de qualquer tamanho! Ofuscou o amigo que vinha atrás dele. Arnaldo Jabor é bem altão.

Gostei também das pessoas, do atendimento, da Visconde de Pirajá sem fios elétricos aparentes, da vaca colorida, das lojinhas de iogurte gelado, das calçadas de pedra portuguesa formando diversos desenhos, da Urca, do museu de azulejos (que tem os azulejos do meu banheiro almodóvar para reposição), das lojas de rua que ficam abertas até as oito da noite, até da pizza deliciosa que entregaram em dez minutos no hotel no dia em que meu companheiro ficou doente e não pudemos sair para jantar.

Enfim, uma viagem banal que eu resisti tanto a fazer e que se revelou excelente. Curioso como quando não temos quaisquer expectativas normalmente somos supreendidos, não é? Pois o Rio me supreendeu. Positivamente. Conheci, nesses seis dias, uma pontinha do iceberg carioca. Há bons motivos para voltar à cidade maravilhosa.