Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
E fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois...
Música do Peninha, cantada pelo Caetano. Linda, linda. Para falar de uma das coisas que eu mais gosto: silêncio. Pode parecer uma contradição, pois falo pelos cotovelos. Mas quando estou na minha toca, sozinho, fico em silêncio.
A maior parte das pessoas que eu conheço são avessas a ele. Entram no carro e, antes mesmo de dar partida, ligam o rádio ou colocam alguma música. Chegam em casa e ligam o televisor ou o aparelho de som. Às vezes ambos. Noutros casos diversos aparelhos de TV, um na cozinha, outro na sala, outro no quarto. Necessitam barulho, ruído, movimento. Mesmo que seja para sintonizar em um programa que não gostam. Tudo menos o silêncio.
Comigo acontece o inverso. Sempre detestei barulho. Cheguei até a pensar que eu tinha uma má-formação nos ouvidos, pois aparentemente sempre escutei melhor do que os seres humanos normais. Desde criança sempre achei que o volume da TV estava alto demais. E sempre fui tachado de chatonildo. Se me sentia como um extra-terrestre por mil outros motivos, esse era apenas mais um a me fazer sentir excluído do mundo real.
Felizmente encontrei, dia desses, na Saraiva, o livro de um autor argentino (não me recordo o nome dele, agora) cujo título é "O Silencieiro". O protagonista pensa e sofre com ruídos exatamente como eu. Ufa! Sou minimamente normal. Pelo menos tanto quanto pode ser o personagem criado por um argentino. Não sei se isso deveria me servir de consolo...
Por estranho que possa parecer, se eu ficar em casa alguns dias sozinho, pode ter certeza de que vou me desconectar do mundo. O silêncio faz com que eu até respire melhor. Permite que eu estabeleça conexão comigo mesmo. E à noite, quando o silêncio é maior, meus pensamentos voam soltos. Como na música, eu fico imaginando coisas, sonhando acordado, relembrando ou inventando o que eu gostaria de lembrar.
Sento no meio-fio
dos meus pensamentos
na beira do que eu invento
E aproveito
O lado bom
Da solidão
Esta é da Zélia Duncan. Amo. E aproveito para emendar que silêncio e solidão combinam muito bem. Para completar, uma taça de vinho. Perfeito.
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