Você se espanta com o meu cabelo
É que eu saí de outra história
Os heróis na minha blusa
Não são os que você usa
E eu não te entendo bem
Sua cartilha tem o "a" de que cor?
O que esta acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
A primeira é uma estrofe de "Uniformes", do Leoni e do Léo Jaime. Uma das muitas músicas do Kid Abelha que eu simplesmente a-do-ro.
A outra é um pedacinho de "Relicário", do ma-ra-vi-lho-so Nando Reis.
Os dois recortes ilustram muito bem a vida e as relacões que estabelecemos. Cada um nasceu em um canto diferente. Com referências próprias, com valores particulares, com singulares formas de ver e compreender o mundo.
De modo geral, fomos todos instruídos a conviver harmoniosamente com as pessoas todas, por mais esquisitas que elas pudessem parecer a nossos limitados olhos. E assim fazemos. Porque é politicamente correto, porque é cristão (?), porque somos obrigados por lei a não discriminar. Ok.
Mas conseguir conviver socialmente não implica na mágica de compreender determinado gosto, de aceitar uma estética muito peculiar, de compartilhar sonhos e anseios. Assim, sei que meu cabelo espanta muita gente. E eu me espanto com os heróis das blusas que elas vestem. Nós não nos entendemos bem. Aprendemos a vida por cartilhas diferentes. Estudamos em escolas que usavam uniformes diferentes. E agora é natural que nossas máscaras sociais também não se assemelhem.
O que nos falta, mais do que qualquer outra coisa, é disposição para abandonar essas referências antigas, que agora não nos servem mais. Mas isso é muito difícil. Andamos pelo mundo em busca dos nossos iguais. Ficar para sempre de uniforme é uma fórmula fácil para sermos reconhecidos por nossos pares. Mas...que falta de criatividade! E que tentação grande de
achar estranhos aqueles que se recusam a viver uniformizados...
Mais fácil do que aceitar que nossa visão de mundo não é a única, é acreditar que é a melhor. E vivermos felizes, limitados pelas eternas fronteiras do pátio da escola.
Apesar de já ter abusado da trilha sonora, ouso finalizar com uma música que a Marisa Monte canta, que me parece que a letra e de dois titãs, tudo a ver com o texto acima:
Eu não sou da sua rua,
Não sou o seu vizinho.
Eu moro muito longe, sozinho.
Estou aqui de passagem.
Eu não sou da sua rua,
Eu não falo a sua língua,
Minha vida é diferente da sua.
Estou aqui de passagem.
Esse mundo não é
Meu, esse mundo não é seu
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